quarta-feira, 10 de maio de 2017

Um filho faz tremer a relação ou fortalece-a?


Ter um filho é dos momentos mais especiais na vida de qualquer pai e mãe. E isso é indiscutível. 

Mas qual é o peso da chegada de um novo elemento à relação dos pais enquanto casal? 

A alteração de rotinas, as noites em branco, a mudança da casa e o novo estado de desorganização constante nem sempre têm um impacto positivo na vida dos recém-papás. 

Deixa de haver tempo para namorar, ou se há é menos do que o habitual; no sofá onde outrora estavam os nossos casacos e as almofadas estrategicamente organizadas passam a haver fraldas, cremes e mantinhas; na casa de banho "nascem" novos elementos, desde a banheirinha até ao shampoo, gel de banho e cremes para tudo e mais alguma coisa; na cama do casal por vezes surge um espaço extra no meio que é ocupado pelo mais recente membro da família, sobretudo nas noites das cólicas ou das otites e constipações; o jantar nem sempre é tranquilo a ver TV ou a falar sobre o dia de trabalho, é muitas vezes a correr para aproveitar os 5 minutos que o baby está a dormir ou então é por turnos, enquanto o pai brinca com o bebé, a mãe come numa só garfada o arroz de pato... isto se tiver havido tempo para um prato tão elaborado, às vezes é mesmo só uma sandes ou um hambúrguer que o pai trouxe de um qualquer fast-food; e as manhãs do fim de semana já não são na ronha na cama ou a fazer zapping no sofá da sala, é que além de acordarmos de madrugada com o baby a chorar e a querer atenção, muitas vezes a manhã de sábado acaba por ser para comprar fraldas, leite em pó, toalhitas e toda a lista de essenciais que estão quase a acabar, aliás, como sempre, estas coisas parece que voam, estamos sempre com a sensação que comprámos fraldas no dia anterior, mas nunca há suficientes.

E a gestão das despesas também muda. Quando chega o dia do subsídio de férias este já não vai para aquela viagem às Maldivas ou para uma qualquer ilha de sonho, vai direitinho para cobrir o VISA que andámos a gastar nos últimos meses ou para guardar, sim porque pode haver uma despesa não orçamentada e completamente imprevista e agora "somos pais e temos uma vida extra em que pensar". E no dia a dia, a coisa não muda, andamos sempre a fazer contas porque há aquele babygrow que já não serve e temos de comprar mais; porque ele já não bebe leite materno e precisa de leite especial porque é intolerante à lactose; porque há o pediatra, o xarope para tosse, os supositórios, as vacinas extra ao programa nacional de vacinação e toda a uma lista interminável de novas despesas que acrescem às que já tínhamos. E por vezes até há que mudar a lista é que já não dá para ir jantar fora duas vezes por semana, uma ao cinema, aquele vestido de 200 euros ou aquele iPhone que acabou de ser lançado...

E na relação do casal tudo isto pesa. As noites em claro e o cansaço acumulado noite após noite, a falta de tempo para falar sobre algo que não seja o baby e a falta de dinheiro para programas de lazer extra e até as horas a mais no trabalho para ganhar mais ou o part-time que aceitámos para ser mais um "salário" para equilibrar as contas. 

Às vezes é difícil ver a luz no fundo do tunel e há até pais que se "arrependem" de ter sido pais naquela altura e que pensam que deviam ter adiado. Nem sempre o cansaço permite ver o bom da maternidade e da paternidade, mas garanto-vos uma coisa, quando chega ao final do dia e chegam exaustos do trabalho e olham para os vossos príncipes é impossível não pensar que essa é mesmo a melhor parte do dia. 

Quanto à relação, há momentos críticos que fazem tremer muitas relações, se assim não fosse não estávamos constantemente a ouvir coisas do género "tiveram um filho e agora é que se estão a separar?!". Só quem passa é que entende o difícil que é gerir tudo. Mas acredito que depois da tempestade vem a bonança e o que é certo é que depois dos primeiros meses críticos, o casal reajusta-se, habitua-se, adapta-se e arranja estratégias e estratagemas que permitam "fugir" um bocadinho à rotina, surpreender a cara metade e ainda dormir nem que seja por turnos alternados entre a mãe e o pai.

No final, se a relação sobreviver, é impossível que não esteja mais forte e até mais cúmplice. 

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