Porque será que os médicos acham sempre que não devíamos ter ido às urgências? [mas depois mudam de ideias]


Sou só eu que tenho a sensação que quando chego às urgências com os meus príncipes os médicos têm uma postura de "se calhar não devia ter vindo" é que "ainda não tem 3 dias de febre", "não parece estar com falta de ar", "vai apanhar outras doenças na sala de espera e nem parece estar doente" ou "a medicação ainda não está a fazer efeito"...

Às vezes apetece-me perguntar-lhes se acham que eu tenho um gosto particular em ir às urgências só porque sim. Como se não tivesse mais nada para fazer e precisasse de ocupar o final de tarde ou a madrugada com um programinha "especial" nas urgências do hospital com os miúdos atrás.

E o pior é que em 99% das vezes, acabam por me dar razão. Depois do resultado do raio-x, das análises ou da auscultação, olham para mim e dizem um "afinal está com falta de ar" ou "tem uma otite, bronquite e amigdalite" ou mesmo um simples "ahhh está com uma pneumonia" ou com mononucleose ou com escarlatina. E olhem que todos estes exemplos já me aconteceram.

No caso da Leonor, era raro escarlatina com menos de 2 anos por isso não devia ser, ainda por cima ela "vendia saúde" - palavras da médica -, mas a verdade é que a febre não passava. Lá fizeram a análise e não é que era mesmo escarlatina... "mas é super raro" defendia-se a médica. 

Mais tarde foi a pneumonia... em pleno pico de gripes e constipações, com as urgências apinhadas de gente, e a médica a dizer-me que não os devia ter levado só porque estava com febre desde o dia anterior. Tentei explicar que o ben-u-ron não lhe baixava a febre mais do que os 38ºC e que tinha chegado aos 39,5ºC 3 horas depois de tomar a medicação. Assim que a auscultaram mandaram-na para o raio-x... resultado: pneumonia.

Já no caso do baby Pedro foi a mononucleose aos oito meses. Garantiam-me que não era nada, mas ele só chorava e vivia grudado no meu colo, dia e noite. E mais estranho: não queria comer, logo ele que não consegue ver comida sem pedir. Depois de duas idas às urgências, acederam em fazer análises e afinal era mesmo mononucleose. 

Esta semana foi igual... depois de uma pulseira verde, mesmo estando com falta de ar, foi-lhe diagnosticada uma bronquiolite e passou três dias em casa a fazer aerossóis. De repente piorou, a febre voltou e a falta de apetite também... cheguei ao hospital e a reação foi: "é normal estes picos de febre, também ainda só fez três dias de Ventilan... bla bla bla"... insisti que não era normal piorar, pois devia estar a melhorar, não? A médica acabou por aceder em mandar fazer raio-x quando percebeu que ele estava com algumas secreções e já depois de ter diagnosticado que afinal também tinha uma otite... No final, a postura mudou, já se ria para criar empatia com o baby Pedro e acabou por lhe passar antibiótico para a otite e admitiu que ele tinha algumas secreções nos pulmões. No entanto, não precisava de me preocupar, porque o antibiótico que ele ia fazer também dava para a pneumonia... e afinal ele nem tinha nada...

Eu até entendo que haja pais demasiado alarmistas - ou não fossem os filhos deles e não fosse o seu "papel" esse mesmo, o de se preocuparem com o seu bem-estar - e que haja muitos casos que não precisavam de ir para as urgências e que não é fácil trabalhar por turnos e horas a fio, mas também acho que é importante os médicos mudarem um pouco a sua postura. 

Às vezes, acontece-me estar sentada em frente à médica, com poucas horas de sono, ou nenhumas, cansada, exausta, com o baby a chorar sem parar e ela a fazer perguntas com um tom que quase que parece que estamos num exame oral em que o professor está a tentar apanhar-nos desprevenidos para nos dizer que agimos mal. E não há pior sensação do que aquela de ter um médico a julgar-nos enquanto pais e até enquanto pessoas. E quantas vezes as perguntas parecem rasteiras e quantas vezes não nos questionam "mas há quanto tempo tomou o ben-u-ron? Há meia hora ou há 40 minutos? E começou assim quando? Há dois dias ou há 30 e poucas horas?" E o nosso cérebro parece que dá um nó... às vezes nem sabemos como saímos de casa vestidas quanto mais se foi há 10 ou há 15 minutos, se a febre era mesmo 38º ou 38,2º, se lhe pusemos soro 4 vezes no dia anterior ou 3...

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