quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dizer adeus ao meu primeiro amor


As despedidas nunca são fáceis e deixarmos o nosso trabalho sem ser por opção própria mexe com as nossas emoções. 

É uma espécie de cubo mágico que depois de desfeito não é fácil de ser refeito. Eu, pessoalmente, nunca consegui fazer nenhum cubo mágico... mas em miúda cheguei a pensar em descolar os autocolantes e aldrabar o resultado. O problema com essa solução é que a questão não fica resolvida de raiz e os papelinhos coloridos acabam por se descolar. O mesmo acontece na vida... quando fechamos uma porta temos mesmo de a fechar. Só assim é possível começar a espreitar em outras direções. 

Na última semana enquanto limpava a secretária, apagava os mails, esvaziava as gavetas e enchia o ecoponto do papel com jornais, revistas e folhas soltas senti-me algures entre o aliviada e o triste. É quase um dizer adeus ao primeiro amor, aquele que sabemos que não era o "certo" ou "ideal", mas que teimávamos em amar de forma até um pouco "doentia". Aquele amor que não nos dava o que precisávamos, mas que ainda nos apaixonava como no primeiro dia. Aquele amor que não se esquece de um momento para o outro, mas que temos a certeza que deve permanecer no passado. 

Foi bom, muito bom até. Foi único, especial e irrepetível. Mas novos caminhos se desenham no horizonte e não dá para fazer inversão de marcha agora. É tarde para pensar mais do que o necessário. Não há tempo, nem espaço, para memórias com sabor agri-doce. Resta o agora e o amanhã e esses têm de ser cheios de cores, cheiros e odores intensos. Têm de me dar a alma e o foco que em certos momentos perdi durante a última década sentada à mesma secretária. Têm de me encher o coração de sensações fortes e fazerem-me sonhar. Como os espanhóis dizem e tão bem, têm de me dar "ganas de vivir!"

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