segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ficar desempregada não pode ser um bicho de sete cabeças, mas sim uma oportunidade


É fácil dizermos "vai correr tudo bem", "vais arranjar um trabalho melhor", "tens imensa capacidade", "fecha-se uma porta, abre-se uma janela..." o problema é que é fácil para quem diz, mas não para quem ouve...

Quem ouve isso porque acabou de ser despedido tem a noção de que a vida como a conheceu até aquele momento nunca mais será igual. As coisas vão mudar e não é porque o próprio decidiu. O próprio (na maioria dos casos) nem sequer foi consultado e quando recebe a carta de dispensa pensa «porquê? e porquê eu?». Nem sempre há resposta para essa questão e muitas vezes mais vale não perdermos muito tempo a tentar encontrar uma boa justificação. 

Depois da frustração e das dúvidas vem a revolta, por vezes misturada com a tristeza. Pensamos no que demos à empresa, no quanto vestimos a camisola, mesmo quando fomos operados e não usámos a baixa médica ou daquela vez em que o bebé ainda mamava, mas optamos por ir trabalhar porque fazíamos falta e isso do horário reduzido além do 1º ano de maternidade é visto como um abuso por parte da funcionária e até quando tivemos aquela proposta "milionária" que recusámos porque gostávamos mesmo do que fazíamos, mesmo com um salário menor. 

E quando batemos no fundo, sentimo-nos na merda. Achamos que somos as únicas aves raras nesta situação; depois percebemos que somos muitos e aí preferíamos que fossemos mesmo os únicos porque podia ser mais fácil arranjar emprego. Sim, porque nem para entrevista nos chamam. Os dias passam, já mandámos currículos para a nossa área e para outras 5 áreas que nada têm a ver connosco. Corremos todos os sites de emprego, pensámos emigrar, pensámos criar o nosso próprio negócio, mas desistimos de seguida quando percebemos que estamos em Portugal e que para tudo é preciso meses de burocracia e dinheiro inicial que não temos. 

Dormimos sobre o assunto, tentámos ver esta fase como uma fase. Mentalizámo-nos que até estávamos a precisar de uns dias... vá, umas semanas... de descanso. Se calhar esta podia ser uma fase de férias. Soa melhor, não soa? Mas na verdade não sabe a férias, sabe a castigo e curiosamente até está sol e a praia até está perto, mas e vontade?

Mas depois do luto, da adaptação, da luta, do desespero, do desânimo, das dúvidas, das filas e telefonemas para a Segurança Social, para as Finanças, para o Centro de Emprego, para os seguros, para as propostas de emprego e entrevistas falhadas percebemos que afinal havia alguém que tinha razão porque "vai mesmo correr bem!" Sabem porquê? Porque quando estamos tranquilos com a porta que se fechou e quando fazemos o luto e quando nos sentimos a recuperar a vitalidade e a força, há mesmo janelas que se abrem. E mesmo que não sejam as janelas que queríamos, sonhávamos ou prevíamos, a verdade é que devemos entrar. Há riscos que devemos correr, e este é o momento certo para o fazermos. Porquê? Porque pela primeira vez (ou não) não temos mais nada para fazer, logo podemos tentar tudo, arriscar tudo e experimentar tudo. Até aquela roadtrip que estava na bucket list, aquele curso de olaria que ninguém nunca percebeu porque o queriamos fazer, aquela visita à cidade onde gostávamos de viver e até aquele sonho de fazer o Caminho de Santiago a pé...

O caminho, faz-se a caminhar e não há limites, só estradas para escolher e percorrer!

2 comentários:

  1. Verdade adorei o texto, pois estou nesta mesma situação.

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    1. Obrigada pelas suas palavras Fernanda. É sempre bom sabermos que não estamos "sozinhas". Espero ter-lhe dado a força necessária para sair rápido do "lodo" e seguir em frente porque a mudança é sempre positiva. Por vezes, adiamos o inevitável por comodismo, mas quando somos "obrigados" a mudar temos de aceitar o novo caminho e fazer as coisas que gostamos, mas que andámos a adiar por falta de tempo <3 Muita força Fernanda e se precisar de falar, estou aqui! Um beijinho

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